17 de out. de 2011

    Eu queria tanto, por tanto tempo
    num período necessariamente escasso,
    vestir essa casaca
    sentir a carapuça do singelo,
    do abraço cotidiano.

   Queria apertar de uma vez esses botões
   capitular da luz somente ela própria
   ter a cara da tolice, como um boite aceso na noite
   cruzeiro no bolso, um cheque vivo
   o cheiro de satisfação.

   Um sorriso no rosto,
   a vida na mão do pipoqueiro
   companhias no fim da tarde,
   um corante vermelho
   um passeio na praça
   natural pra nossa saudade.

    Sobra, porém, um aviso fosco
    das confusões, das realizações tardias
    das buzinas que nada vendem,
    das falsas danças no vão da discórdia,
    da mendigagem pelo próximo beijo,
    sem blusa,
    ausente
    nos becos cinzentos da solidão.

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