12 de out de 2013

Papel de parede





Existe um conflito secreto, certo, entre o papel e o pensamento. Tento deixar tudo correto entre a gente, escrevendo, tentando mais. O papel, apesar de tudo, é o corpo todo tatuado: quanto mais se tatua, mais é corpo, espaço pronominal desocupado, ponto de chuva. . Quarto é quadridimensional, corpo também; tatoos são simples , cobrem, e só doem uma vez na vida – sentimento covarde de ter como prêmio um desenho heroico que te despe enquanto visto, e te encobre quando desvendado, justo quando queres notar-se em alguma galeria de undergrounds – Corpo se enche d'água com choro, e mais água, mais se traga se se afoga. Incha, contorce e roxeia – tem coxas que pixealizam e curvam sem dó, se embaralham com o tempo – tatuagem de marinheiro desbota … tem de ser refeita e dói mais a marca, marcar-se outra vez – Enquanto se vai tudo isso, todo esse gasto de desenho e escrita, corpo apenas faz design consigo, abastecido do gás infinito da petrolífera da gravidade … Às vezes, nem isso, flutua em tempestade, ventos e pedras, e então se machuca; e venta também para ferir a corpos outros, parceira de almas dessemelhantes, como numa disputa de balões coloridos de grosso e carne … Tenta-se trocar toda essa tinta cor de amor e zelo; se sorri; se acena, se erra absurdos, inverte-se e faz-se, sob os mesmos vícios – cocaína, celular e shopping center – sexo, correta e indeterminadamente. 



És honesto dando o corpo só enquanto se está bobo, que para bobeira se faz beijo e coito, e depois disso apenas paz, cisne branco em noite de lua, sendo que não exista cisne, e haja um corpo num apê minúsculo, na ponta do precipício, é a sina tensa, e é urgente uma caneta. Dia nublado, e a marca sideral de um grafiteiro iniciante no pernoite das artes, lembra vinte anos ao corpo passado de que é cuidado e rápido dar nomes novos aos mesmo livros, plano que a a tattoo do marinheiro esteve esticada, intacta – e incapaz. 





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8 de out de 2013

Outubro



OUTUBRO




Parece que não existo
e se existo
é aquilo que já se foi
E então ?
Alugado,
o corpo pede sinal para continuar,
persistir só e ausente.
Tanto faz se os seus olhos me confundem,
se nem sou eu quem sequer arco
nem moro em mim
Certeza agora
de que não exista nem pelo canto
e se existo, repito, talvez dos canos
a janela tomou fora
e lançou à alma ao corpo
duro da rua, com outras
mortas que tanto trabalha
para continuar a alugar esse direito
eterno
de persistir ausente
de tanto faz
e parecer que existo, repito, é
recurso último
mais um sinal de vida
de se dizer isso.
E então ?
Se chove
a semelhança parece
                              luxúria
de um natural que sem espaço
reza à pádega equilibrando a moringa


Olha para frente, ´é vida
ei que vai ri em minhas costas
e parece não existir
espírito fugido
além do esbranquiço quebrado apenas
                                                    a mi


provavelmente a
fonte escura
do que espanta
a bem
com o mal
e o mau
com moral
há de estar desfeita
com qual moral,
se existir é portar
apenas
indo-se embora numa água
como gente desconhecida?


09-09-2013


Juliano Salustiano
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6 de out de 2013



I


Coquetel.
mais que isso,
coquetel,
Rafael e
São Miguel
pedem licença
nem queiram saber o que maquina a moral em seu silêncio
Coquetel
Minha morada repetida e mestiça
Contraditório biombo do nosso couro politicamente certo,
Sintético –


Êxtase é tanta
(Faz-se tonta
e faz de conta)
o pensamento só sabe meter fila nas portas do meu céu
e tão acrílicos são os muros, tímidos demais


que eu só posso gritar- te
em quartos de hotel.


II


Caíste do céu ?
Do céu, pois no céu
não se toca batida de funk, de reggae
ou de estacas.
Cri-te tu no salão do monogâmico:
amor e praga,
gêmeos idênticos,
e perdeste a idade contando estrelas mortas
há tantos mil anos;




Este céu
vai cheio de palavras desusadas, notaste
só as têm embaralhadas e nuvens
tudo quando gozas, per vistos, permissivas do nu queixo
no que o tempo te concedes;


Velhos pedem meninas lacrimosas
e, como olhos,se dão sem malícia
nenhuma
vão
viver no céu
a acariciar românticas páginas de e-mails


E sem gosto em em sequestro ficas com tudo lá...
sendo depois de try
cry
e quase die,
secas, porém sexy,
caminham ao meu lastro
quarto de hotel
aonde o amor não se faz...


Orgulhosas,
fingem ver os ratos que te recebem,
sendo que não se fossem familiares nossos vivendo em suspenso,
geração em geração,
geração e geração …
Insistes nos falsos
e investes nos fatos desse asfalto breve
em que andar é sem lógica nenhuma, sobrepor-se – e seu infarto e vasto delírio
espírito
numa caixa de sapatos.


Sei que os cubículos não te negam
e seja mais uma delas,
na estrada estranha...
estranhas?
Prossegue como quem quisesse volta ao céu ;
um show de stand up
stand it down para amarrar o tênis;
a soar tudo uma palhacice desfeita:
eu pintado
nesse quarto vasto
já de rosto no colchão
um aquário de pólvora
e mel …


E você já sabe em finitos ecos
onde eu posso te gritar,
(Leocádia-faz-de-conta. )
em quartos de hotel.






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Das cores





Das Colores




Azul bem postado
é
azul
de andar na linha
torn'esperante
quando em medo
rentando' em tédio
estação de trem
achegar
Amarelo,


Dos dois
carrões bois
verde brota
bois de vida
Bruto 'Diamantina
resolve calhar em selva


C'O
sinal vermelho do sangue de Eros
encontra
e nem s' encosta
que se carpe
dá-se em merdas
Fico marrom
Qual a cor
da madeira
da messa
e da
Canoa do dilúvio.




Marrom como
teus olhos


Ou como cerveja
a cor de cornos,


Podre
de insucesso


Vou me
de preto pela rua
até a pax
cato palavra sua:
preto
passo preto
com triste'
calma
E sombra
'té mais ou menos
baixozolhos
forrar a rua
leite domínio
e pasmo em cinza.


Garoa indecente
garoa
descende
da lua à cara:
retida uma
de enuviar
transpareceste outra
vigiam aos meus:
retinas cor de águas
sabe deus se agora
eu veja
ti como' um espelho
e mais nada.




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5 de out de 2013

A UMA FUTURA ATRIZ ,GAVCHA



A UMA FUTURA ATRIZ ,GAVCHA

               Uma atriz, Gaúcha.
Vírgula,
mais uma
suspira
e se pendura.
Sem orquestra, sua voz salta e com ela
Pulsa com frequência e ondula com cabelos e fazeres-o-quês.
Morena de lustra Porto Alegre os seus pormenores, numa caixa de joias
mas quite as costelas de um homem copiado do que o doído alheio se te adivinhas
Adivinhas?
Divinizas?
morena do baixo tablado extensão do calcanio, espezinha onde encena tudo
Quem a acena perde os sinais de fortuna ganha, compromisso e anéis de amarrar vidas em teu gracejo]
Morena
a cena cala
refaz e emuda;
' morena, se banha com a luz de coxia e vozeado
onde aprende tudo que não imitas. Sequer prepara.
Chega em casa e esquece dos penteados que perdeste?
Deste voz a siba muda esse elétrico painel automático de mundos ?
Pneumas respiras elétrica quando te pensas fundo perto do vento ?
Cubra-se nos braços, que está frio, tenho vontade de dizer,
mas jaz na luz completa o intervalo em que estaca. Passa com pressa. Morena de luzes múltiplas, imediatas,
gaúcha e virgulada, estaca os saltos na rua depois do espetáculo...
Mas eu não sei, não sei nada dela
e isso podia ser falado por ela mesma e seus pormenores: mais de quarenta personagens que se compõem a pulso e febre
passos que de lebres que ponham célebres dos coletivos mudos, cheios de gente e sem história nenhuma;
ficas, ficou. Desdêmona cá, mas já estas viva ali, de novo ...
E puft,
viraste pássaro desconhecido.
Agora vais passada de reboque e sombras – é noite de ato sério –
tira num segundo o gargalo e blanche-
Guerras de Colorados, Blancos –
Não identifico a peça ...Vim aqui para falar mal do texto e enxergá-la; e só.
Vais atrás de outras personas, lá na sombra do pé de carne e rosto a rebrotá-la:
usa-as.
Não julgue que seja assim essa humana de sorte vultuosa uma pétala ou coisa crível
vez que guarda terapias de redução e a máquina de se rebolar no seu dedo médio;
atente e prove ir vê-la de Cuia, guria a homem, a depender do desfeito dito. Xinga e manda-te para a casa do ensaio.
Só que por ser muito delgado meu olho e a fileira do mundo que ocupo, nem nos vemos.
Pago uma fortuna para ser submetido mais de alguns minutos.
Estás livre para amarrar o povo como quer.
Quanto mais solta, mais impressa e desinteressa o que se diz,
se dito por aquela de careta pouco fiável
e breve no inox de sua anima, a refletir.
Luz de canhão se apaga, e
uma certa futura atriz gaúcha necessita ser um pouco dela; descansar desse giro, entrar em bancos, tomar ônibus, monotonias, opacar-se talvez;]
dai para dentro é intimidade, e só a poesia é quem sabe...
Procuro uma desculpa de voltar pra casa.
Tem de ser mentira boa,
porque diante dela, o ausente palco dela,
inserido, inciso dela, como lei e garfa
dessa mulher e virga,
sou o único que não finjo estar desfeito.




Juliano Salustiano.












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