21 de jan de 2013


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Florbela

Esse ópio
é para cólica
e esse copo de Coca-Cola
é para refazer-me no que hei de insistir
mais uma vez
mar de uma
a fluir toda com peste em minha tez, aguar me sem tempestade;
a me sossegar de uma vez só quando eu toda já estiver cagada
catucando o nariz
e os fetos que perdi
dada à luz com minhas lombrigas
deitada num asilo
contando maus idos à cadeira vazia.
Não me vicio,
reclamo menos da dor agora
que desta poesia convulsa.
fiquemos para o próximo mês.

12 de jan de 2013

Lua




Competindo com a luz da rua, 
até que se fiquem cheios dela:luz de vela.
Com tempo certo de se apagar, 
abusando da corte obscura
e re-tornando sempre menina pura
a fingir enganar a terra
(E choram),
sem se pirar,
em lua nova,
tal lua velha.
Lua.




11 de jan de 2013

Eu e meu notebook, meu notebook e eu


Para que quero te libertar

se não te ponho junto a mim

mesmo que esteja me gastando em forças sozinho

não me vem ao colo

com seu calor espezinho?

E para que tateio com força

delicada espessura

se sei que se move carinhosamente

com menor enorme dos toques?

Com fineza e brilho

vejo como vidro teus olhos de espelho

e me dedico a dedilhar tuas lágrimas

e enxotar a poeira com delicado ato.

Que com cuidado faço inventário do tempo

que as unhas sujas e frias repousam teu tormento

e volto a cuidar de ti e limpar te com elas mesmas

mais limpas que o desejo de conter te em mim

caco a caco

e com energia o tato vivo dos bravos cabos de aço

masoquismo elétrico atômico... Híbrido da carne e do aço




Fecha logo os olhos,

pálpebras pretas não-maquiadas que não choram;

aniquila dessa luz a vida por um instante

até o presente mal que tenho de te levar pra cama

e cause de novo o casual de te ligar à vida

através do viés dos botões de camisa... tão bem pregados

que a um toque

….Se abrem ….. isso não se demora

flores pretas, amarelas, odores

e dentro de ti escrevo mais uma coleção de histórias de sim e não

ou delirando sobre o vinco do teu couro vou deslizando o todo

do corpo das mãos que se derretem em nossa face confusa com a luz do mundo que nos casa

do certo e do incesto, tragédia, veias histéricas, histórias loucas

máquina de fazer com que se ame amar falar de amor

mesmo que seja só grafema, como é o todo confesso

a forma e a cor compensam o dilema

no meu abraço contigo

a febre que lentamente se desfaz de ti e me toma,

e eu te abrigo,

a saber que o teu bafo readmite

sem precisar (de fio ou) de corda

nítido

preciso comando

de precisar-te. Ligando-nos.



4 de jan de 2013

Florianópolis


Florianópolis




Em Florianópolis as pessoas parecem ser mais legais;

em especial, são mais legais porque são de lá...

de Florianópolis.

Em Floripa se vive bem!

É porque, em verdade digo, que não vivem aqui,

más e amarradas

ao ser do lugar,

do de ser daqui,

e não lá...

E pensar que em Florianópolis não se pensa sequer nisto.

Só naquilo, que está por lá...,

somente no tamanho da paz

do bom de lá

que quando vamos abanamos para mais longe

com todo esse aqui, que trazemos cá dentro.

Florianópolis é um bom lugar para se escrever direito...

por ser lá que exatamente não escrevo.



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3 de jan de 2013

Homem de Neanderthal


O Homem de Neanderthal foi encontrado

escondido e sujo

com uma camisa rasgada nos dentes

e um grunhido indecifrável;

Agressivo e tendencioso à solidão,

o Homem de Neanderthal não concedeu entrevistas

e raramente é visto

peça rara

próximo de alguma praça:

o Homem de Neanderthal foi encontrado

dentro de um condomínio.




cOr P0


CORPO
*----(pausas)



I




Corpo---

corpo---

anticorpo-

corpo---------

---

cada corpo

---corpo---

é o anticorpo

morto




do corpoutro----


------

Corpo

o---anticorpo----

corpo---




EO sou-

o antígeno-

ingênuo-

perdido

no branco

tão denso

do leuco

do leite

e o veneno--

procura

antígeno

higiênico

moreno

atinge

no copo

o anticorpo

do corpo todo-- doendo---

e fazendo

do corpo-

a-corpo

anticorpo

do mesmo.>>...

Corpo

anti-corpo

---anti-do-corpo---

deitado com o Rosto

e a réstia doutro

torto corpo

trem3nd0

de febre

sem corpo

se ardendo

sem luz:

corpo negro

anticorpo

modesto

na neve em floco

não dá sossego

diablo

ao corpo,e :

quer vivo

quer morto

o corpo

preso

e s o l t o:

Dentro do corpo

o anticorpo termo

qual corpo

possa ser

o Meu

sem o que v a i

para longe do teU?

Corpo,

é anti-corpo

alma do pouco

corpo meu.




II




Anticorpo-

é morto

salvo

ao relento

pelo

noS

pêlos

do

corpo;

é o pouco que temos

pé sobre

o PÉ

ferid0

corpo refeito

---anti-corpo-----

anticorpo é a alma

com asa

i m e n s a

corpo

é corpo

e sempre

sem anti

só mente

é doença

corpo nu

da presença

de um anticorpo sádico

corpo rude e cru

É

seu

antídoto mágico




III


Corpo

é mudo

anticorpo-

pro fundo

de

dentro e

fora e

dentro

e fora e

dentro



frente -

e costas

afronte-

em costa-

à frente

se a frente há

encosta

corpo

com rock

no anticorpo com bossa

em bar

imundo--

limpa de novo

balcão do

anticorpo purgo-

com dose de estorvo e pinga

--- és corpo de  todo o mundo----

corpo

nostro corpo:

s do corpo

poema &  esboço---

anticorpo do esqueleto

--OSSo---

e corpo, dum corpo.

(o) Antigo e (0) seco.

(DUpL0 CoRPO.)










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