16 de ago de 2013

Confissão


Confissão


Ela disse que queria só amizade;
e meu presidente disse que ia tudo bem.
Células se multiplicam com pena de serem cópias desiguais.
Não uso meu sorriso para além do dia e  da simpatia, e o Gallileo é meu guizo.
Como uma igreja ambulante
perco a fidelidade, que vaza pelas praças entre crises e cristais
quermesses mortas, e bailes funk. Tudo não presta fora de si.
Mas, se o dentro de si existe, como templo, um vazio e Michelângelo,
uma estalactite desponta como um manto e corroí o que preenche o sol que me poupo. 
Venero a agnose no mundo dos agnósticos , e pensar nisso parece a minha heresia prima.
E no planeta dos diagnósticos, eu ainda remoo ódios, e eles dão  apelido ao ocitano ócio, beira de praia, quando vejo casais abraçados; elucubro sexo entre os tais nas ruas em que cruzo, mas sem que eu me existisse de fato entre eles; só mais um voyeur, 
galvanizando antimoral um pombo ou noutra figura urbe e clássica.
Espia, fezes, espia, e faz-se assim a crítica e o pensamento. Não se veem com curiosidade e gansos os acidentes de moto ?
Minha cobertura é menos nociva...
O céu me conta que hoje será frio
meu coração, não. Insiste em ver. Doutrinas, nuvens e piadas são irmãs antigas.Preveja, e Outro dia elas nem aterrorizam mais.
Lamuriosa , sem glamour e digna, que  não traz lágrima. Estação de metrô . Que foi? Está sozinho ? Está mudo ? Cansado e omisso ? Está doente? Tá mais para povo?  que sente e implora? Como?!
Pena em não ser como o gás? remorso?
São treze Ave Marias para livrar-me o mal
Vão treze canais a cabo me instruindo
e
fotos contestando a minha tristeza, dez mil delas :
clico
e apareço.
Clico;
e vou eu de novo, montado num burro
clique :
e aquela  viagem para Parati.
Tinha ido eu para Parati!? Nem me lembrava.
Tinha ido se me lembrasse de que não lembraria ?
Meu orgulho disse que sim.
Copacabana não precisa ser a minha princesinha.
Copacabana só precisa brilhar. Ser amante com uma estrela falsa;
lixo para pegar de manhã; e o pego.  Que não Conste no meu ábum.
Detesto mar.
meu tio morreu afogado ...
mas disso não se fala.
Clico ... e quem é esse ?
detesto palavrão escrito em forma de elogio.
deleto.
e não convenço de que a minha gramática não deve ter inglês. Somos criados assim, para sermos em inglês, de só se querer, e não sermos assim.
Não durmo bem. Tudo indica que penso.        
Meu pensamento diz que quer só amizade.
clamo pra que não seja via web. Quero comigo.
São cinco padres nossos todos os dias
e cinco poesias cínicas para acobertar o péssimo :
Homens donos de terras e de gente foram donos de toda a Terra
há mil anos atrás,
e com o hoje vai-se tudo assim também.Repetindo.
Como sinos da capela grande, a engolir os Titãs que hora nos vencem; culpa que desminto ter.
Detesto moscas, mas elas são úteis.Bein!

4 de ago de 2013

Título da postagem



Branca
Pedra que foi dissolvida
Do Sal
Branca
Pedra que não foi resolvida
Da cal

Selvagem raspe a pele  sem culpa nenhuma
Da curva

Despida de chuva até que se cura
Essa litofagia
De afagá-la 

Branca

Mágoa mole velha e dura
Tanto charme até que chula
E Rima nada

Comigo nada.

Só nas fachadas
E nos necrotérios


Branca
Pedra que foi possuida
De Mal
De metal dos ébrios

Escrevo-na bêbado como uma
Pedra.
E sai exata :
Pedra
Branca
ânima
Animada.

Descrevo-a sobre  a mesa :
28 a zero
Vinte nove anos
Sem ao menos
Uma pintinha
Preta
Tombar tambor
Sentindo o teu efeito. 
Não jogo.

Pedra
Refeita
Não é pedra
É folha de papel. Reencontro.
E desde já
Só uso cartolina
Pra não lembrar

Pedra branca
Mansa
Onde pousa passarinho
Ouro fino
E memória .

És mulher
assim que eu te largue
Mesmo que eu te largue
Pedra do largo
E vestida mesmo quando nua

Pedra branca
Como a cachaça
Não tem graça saber
Que se repete no poema de outro.

Escasso tema
Pedra poema
Coisa de corno.
Que tal eu chamar você de gema
Pra pois Quando amarela
Um roteiro novo ?
Pedra branca
No entanto
No roteiro das minas
Ou de Estocolmo

Existe
E  sequer posso pichá-la
Gritar com nome que deveria

Pois malha-a
a chuva
e a luz do dia
como de milha
rica em existir intacta
mais que o debater da minha
litofilia

Branca
Que foi querida
Do tal 
Até inteir’ela
Derreter-me a vida. 

Juliano Salustiano
Prefiro it, a importunar-te it, sabes. Sei.






2 de ago de 2013

George Clinton - Atomic Dog

olhos (rascunho0001)

 ELES




Se libertaram do grude do começo do dia

mesmos olhos carolas de ontem

que soletraram corretamente  a palavra e.t.i.q.u.e.t.a 

permanecem etiquetados no catálogo agora

dos calçadões gelados do Caju ou do Araçá 

ruminando suas famas  entrecruzes

Vistas vagas, 
ou os

que encararam a Nikkon como se fosse nada 

e ao espelho com terror vivo

tops tão magras ...  



1 de ago de 2013

Pessoas faladoras







Pessoas faladoras
Que inveja delas.
Nem precisam de álcool
Pra se esvair. 
Evaporam sem segredo noite afora
E vão trocando o conteúdo dos copos
Cheios de estrelas,
Nublados, com uma pomba, um avião,
Refazem super-heróis
Com todos os riscos sem fundos,
Destroem heróis com bronca rubia
[Tiradentes a Assange; e pode vir uma bomba de efeito a seguir uma fumaça de cigarro, comemorações do último título do time esquecível ]
Cavaco, rock e chôro ...
E eu ainda fico surpreso
Que, de frente a isso
Ainda ser calado me cobre
Mesmo que chova
Nos ombros dos tapas
A mesma trovoada
Não tem o que dizer [e me cubra] :
Só vejo a água. 

Pessoas faladoras
Que inveja delas.
                                         

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