22 de dez de 2012

Marte


Marte---

mar de lama distante---

me diz quando tu vem---

abrigar o céu

mínimo

e não chovendo

grande

e plano?

Sempre pele de índio---

flecha avante---

bumerangue cordel----

frente de batalha-

lindo-----------------

Marte aceso no escuro é da cor de um muro

velho-

vai disputando com os fios de lux concentrados no tempo ocioso

Marte-

arte de fera

sufoca de longe o mundo com tua chama

como uma cidade esperta

cheia de obras desencantadas de barro

de soma guerreira-

que se levanta e passa

enquanto dormimos-

e adormecemos o mimo

da canalha espreita.

Quadrante das constelações -

dos espaços entre mim e ela--

nunca pôde

devorar o meu calor todo

nem mesmo flamejar a espera

do meu olho

atômico--- fio ligando outro

à noite

em mim à parte do visto--

Marte-

no horizonte à tarde

confunde-se com um resto de céu--

vermelho e tinhoso-

todo marte também.

Marte-

jóia na caixa-

cintila no indecifrável

e eu prefiro quando anoitece-

e renasce o contraste

entre Epos e o véu

translúcido de estrelas brandas-

como que acalmando a fúria

do temeroso encarnado avante

apreciável e reticente-

próspero farol->

do homem que sem Eros-

Dalva clara

e distante-

se guarda em rancor e range

pleno

da sua paixão em ferroar

e seu ódio pela dor do incerto>

que dói------------------------------------------

---dor de marte

em escorpião---

marte-----

Marte

tarde-

até tarde da noite

no verão-

marte é-

sol secreto--

raio discreto--

sem trovão

Marte.



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