26 de mar de 2012

Sobre a Falta

Sábado e Domingo são uma  fotografia que não realizo. O tempo que gasto procurando registrar ela, essa vontade de te abraçar como Brama Fez com o vento no escuro no início do tempo no mundo, é sempre menor que o bastante do tempo que aproveito nas 48 Horas de apego ao que mais quero: te agarrar claramente, com direito a unhas nas costas, falta de conversa e baba de cão escorrendo nas vigas das casas urbanas das vidas quadradas...o seu apartamento.

Desesperado, eu posto mais de trinta fotos sorrindo na parede do mural, elas estão pouco sortidas: coisas de praia, de festa, de estrada...; eu tento sorrir em  todas elas como se a pele fosse vagem rica que não fosse ficar jamais extinta, apenas pipocar quando fosse a hora de fingir e de ser confundida com o milho. Eu  tenho que fazer em cada uma brilhar mais os olhos de vampiro {que não os trato na imagem por não saber como borrar mais, de medo, na imagem},para me ser amável a insana pergunta jamais usada com conveniente  e tao cheirosa mentira, que é aquela de me imaginar como ser possível não urrar de tanta felicidade em vida;  e responder, breve, com outro sorriso chiclete para a minha mágoa, apagando com o infravermelho do flash da moda de ser latão de brilho, morar no desapego de morte por estar já ali, e sempre, segunda-feira. Trinta poses quentes de solidão na casa de Shankar, a máquina e  eu, o breu e a lástima. Máxima, que me sobre a tua falta.

25 de mar de 2012

Língua


Língua



és tão fria
e tam rica
de fatias
de pá comê
de pra almoçar
ter de enterrar
pá ti amar

míngua

mal merecida
que de tão chica
francisca
-no mesmo nome-
que pra alcançar
para alisar
pra ti falar
sem nome
é ser minha
sem l i n h a
pra onde
se
me
em
si morde
e não
It
is
se
és
plode

Liga, cheia,

toda a sabida briga
pra ser suja
contrária figa
trapo,
de boi
de sogra e intriga,
que es vero
sugar sua filha:
a saliva...
mulherómem
pra mal falar
de sá pegar
peixeira, faca de estar
o afeto corte.
A Língua mina. Esquista que não te estranho o bem. escorre.

A Parking Meet Up



A Parking Meet up



Você pode subir pela rua verde mato
em aves, quase sem morrer do coração em buzinar
procura um canto pra encostar o lebre inox do seu carro
mas mais velozes sempre tomam o seu lugar- parecem ter nascido cheirando velas; elas estão para elas-
pode engatar sua segunda-feira e ir na esquina
fazer retorno e piscar com seu perdão
pisa e procura a vaga una no pátio de um beijo dela... liga o tune do rádio, dá mais uma passeada buscando;
ela está para idoso agora, paralítico depois.
Preso aqui, lacrado, farol laranja piscando, o vento não contorna os fios altos, caminhões passando
caos esportivos com dentes brancos; falta de luz, a pesar com o morto trânsito.
Todos indo até ela primeiro, pagando, acelerado, deslizando o espelho dos corpos dos chassis porcos sobre ela, óleo, olho sobre a casca da terra … que é [ella] deitada, casaca aberta;
já se perdeu o gosto do filho, que virou gás natural,água encanada, e o nu mero das placas
Eu tento ser hilário enquanto tiram racha no parking meet up dela
[de]vaga fala meu jeito é em ser nada quando não te encontro
e sai gelada a fumaça:
você não pode me achar e sorrir para me esconder que não há mais vagas?
Desço seco a rua
motoqueiros queridos voando
indo pela calçada, eu já perdi as portas de trás
a avenida quer acelerar agora do medo que tem do tamanho medo que eu perdi,um novo uno, como das portas, desatino de de si.
Eu não quero sequer falar das memórias atropeladas, daquele velho desejo cansado em te cambiar por troco; do flanela que te esfregava pelo pouco e necessário; do homem amarelo e rouco que não era amor e nem casado, com quem você ia ser mensalmente digna, e também matei
ou com a romântica menina de quinze que queria ser contadora de borrões de crematório...
Eu vou chegando ao parking,
já derreti três voyages e um Pampa com vontade de chegar a você, tão delimitada, marcas branquinhas nas bordas do que o piche não queimou, pra onde é de o se estar por dentro e não mais na rua, mar à vista, sem terra, ilha.
Nem mais fiz barulho quando cheguei. O motor só treme por enquanto, eu empurro o destroço de carga sem calças, aos trancos; não tenho mais planos, vou cacho em ladeira, fruta redonda pavor de que dê tudo perto, pernas queimada, água de rádio;
tem outro inox saveiro, novo e baixo no seu espaço
e yo, o quase prata que foi já azul metálico com pneus e único dono, sem mais um trilho, sem governo na direção dos dois, divido o espasmo de querer à força o que não tive, e no meio da cidade me engancho como nave em nossa:
desejo;
homem, máquina, homem -quero enfrentar o sempre que deixo de nunca tentar te invadir e ficar no beiral do sem par, sem ritmo.
Eu venço mais um, apago a saveiro, devolvo ela pro mundo do ferro em uso e do uso inferno e me deito nos limites teus, das brancas marcas.
O asfalto quente cresce nas minhas costas, que vão virando fritas coisas, mas não posso ceder a minha vaga para os que aceleram além;
Estão em fila o Porsche, o Mustangue -e os outros nomes que não sei, não-pobres, que vivem sem o prazer de se desmanchar e reclamar como eu reclamo, devagar- eles querem parar agora [e sempre] sobre a pele cascada dela, mas eu já sou-me lata, fritando, endo absorvido pela vaga, sendo a marca, reservado para mim, perpétua e intransferível- podem agora os nobres acelerar por cima, [e o fizeram!] Que nunca estarão mais em contato com aquela que já tinha sido tão vazia e usada, só agora com o morto que foi carro, manto e calçada, arrasou o mudo empecilho do tempo e pousou como mosca compactada na órbita dela, veio o mundo e desabou: carro branco, Kombi, Mercedez, todos sem acesso a pele quente e infinita da sempre minha, que preencho com corpo, já que a alma sempre me foi do esboço dela, e ela respirou finalmente forte quando enfim cheguei e não me fui. Sou eu, agora, a sua vaga, a que a negra-branca parada tanto buscava.

São Paulo, estacionamento do Joca, 25 de Março de 2012.constituídos pela primeira vez.

19 de mar de 2012

3 de Sete[L]embro



Eu desisti de escrever a poesia desta noite por pensar que seja inútil grafar tudo isso. Era um poema sobre tristeza, como todo o que faço, ou de uma alegria de não estar fingindo que fui triste, como eu penso. Cheguei de fato a concluir ele em muito espaço e com esforço de quem tece o passado; não sei o que dizer, sem ter, martelei tanto e acabei não gostando do resultado- Essa fome pelo perfeito me cansa. Talvez admitir que este tipo de ânsia seja um começo meio bom para alguma coisa...Pode ser que eu admita e considere o quanto eu não sou o que gostaria de ser enquanto quem escreve- palavra enrolada- um ser mau-suficiente; ou ainda que eu seja um bom, bem-agradecido, que não é capaz de admirar o médio-médio, o nada-além que sempre fora ao acaso.

14 de mar de 2012

2 de Março

Eu quero ser mês de Março agora. e começar no Domingo afundado em depressão enquanto o Chevy vai na estrada com vento requentado da Serra de qualquer lugar dessa vida. Eu quero ser todo dia  segunda-feira, e me cansar ensopado na camisa pólo de marca obscura; eu quero ser o tempo, que vai congelar com o frio da sala das paredes com fungos quando chegarmos nós dois ao topo do prédio menos comprido da cidade; massa corrida nas nossas veias, emotivas, com fobia do que haverá de fora.

Vamos ser Dezembro agora, em qualquer ponto e sumir enquanto os fogos penam em brincar de imitar a felicidade emulada e fedida que só nós dois podemos saber por entre o cheiro...
Eu quero é ser Janeiro...e brincar de ser tudo enquanto sou ócio com o beiço em seu maço de corpo, pescoço e braço, retalho.

 Eu quero ser Julho no seu olho esquerdo, e ver com o meu direito o inverso que é ter completo na metade tua, espelho; outono, spring nua.

Agosto, e eu quero uivar, chorar, ficar doente. Quero, que por todos os anos, sejamos essa multidão de dois nós, Leocádia, e que tenhamos ciúmes mortais desse muito vivo, do quanto nos esbarramos sem medo ou dedos por aqueles quartos eternos dos nossos atos boçais e nervos.Setembro; e eu ainda quero ser começo de Março, Leocádia. Ainda quero.

11 de mar de 2012

Botswana

Eu não tenho nenhuma outra prova de que exista Botswana
além das dádivas de vê-la no mapa dos olhos com cisco de um vestígio;
Eu não tenho nenhuma prova de que exista ela;
pode ser uma mentira que fizeram,quando notaram que faltava um canto para ter nome esquisito;
ou até um de alguém importante, que  se pôs ali por capricho-
eu não tenho a boa vontade definitiva de desistir dela;
mas me cansa de ver que não há razão para que ocupe o espaço, que não se mova-
esfregando o paper eu tento esticar ela, entrelaçar com os ramos da minha pele, alguma coisa real
que vaia grande coisa vermelha, um piado ou urro cômico
provável piano com notas escolhidas por dedos mútuos-
eu não tenho nenhuma prova;
pode até ser, e torço, que me queime a língua
de nascer um dia que eu a veja em screen de cena em tela fina
toda cheia da coisas que queremos cheia de morte para a apressar a vida;
enquanto isso, eu olho para o mapa
e não tenho nenhuma prova
de que exista o molho de chaves de quem a vê digna, agora. Nenhuma prova de que exista a ida,encoberta,Botswana Minha.

Salão


S   a  l  ã  o



Tens que fazer de novo?
as unhas na minha frente?
Esmalte
tesoura, conta-me, maltrate;
abóbora,
francana, sabida, acorá, lilás, Borja, santão e veraneio
amarelo concórdia de pernas abusadoras de rato-
sanduíche, cotonete, acetato inflamado
lava tendão de amolecer as garras
certifica no lustre que os são, esfria a lava,
que não estive tão a salvo;
Eu fecho,
eu abro
estou na veia;
arranca mais um pedaço-
ela tem que fazer de novo
não me molha
e isso sempre me arde
Ainda me queima um quesito teu
risível
da pedra pomes azulada quente em pus
que esquentando no medo mínimo prensado do seu calçado
vai a ferideira tapuru tão feia
do desejo de ir pro lado.
Preciso de álcool para me banhar, (me lixe menos, e se lixe mais)
e de uma tarja exatamente úmida
que me seja de o mais pra rasgar-me c'oisto -à comida aberta-
Mais uma noite eu te vejo pela réstia da porta,
observo o cravos, carminho no osso se lixa ao aço:
tenta em rude
infesta e cospe
salga o grosso, tempera e morde
vento cor-tinta, entre a cortina, vento forte, sem ordem.
Recaindo luz e medo
eu escondo o chapéu
pra não ver a minha testa no reflexo, vou e me agacho;
-rima sina e morte, ela dorme-
e me entram as unhas no couro: me comovo, curva pra fuga de novo,
tens de fazer,
tanto assim,
de mim, às unhas de novo?  

4 de mar de 2012

Nau Frágil


NAU FRÁGIL



Havia um sensor no meu jeito,
 que era de capturar só legião de mar
 eu andava pelo mundo sentido, 
 mas nunca sentindo como sente o mar
 até que um dia desfez-se a rima
 e os tres magos vieram a encontrar
 a estrela calada na isla,
 a estrela caída Tayná


Estava brilhando no campo
na luna queria morar
um mago Bel tentou perseguí-la
montá-pra ir para o ar.


Tayná se mostrava ferida
pelo seu Bel que a queria usar
largou uma luz sua casca
e com choque o lançou no mar.


Voltou a pousar sobre a pedra
como amarga de dor a chorar
a vida parecia lhe solta
sozinha na aldeia a cantar


Cantava como a cor do espanto
da lágrima candida a livrar
O mago Sal foi tentar consolá-la
queria uma luz pra ostentar


Partiram, ela e o mago
sobrevoo do mundo além mar
tainá se sentia polida
e brilhou até ao mago cegar




Largou vez uma o Sal do corpo
magia lenta, desespero de esperar
eu andava na praia perdido
mas nunca aflito como o vém do mar;
até que a noite fez a poesia
e o terceiro mago enfim tropeçar
na estrella cantante da Ilha
a estrela com quem foi brilhar;

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