28 de nov de 2011

...




Hoje eu meio-entendo

que o humorista

é o que brinca de fazer dizendo

o que ninguém tem o despudor

de fazer sequer brincando.


é o que teima em remedar

a morte ao buraco de se ir, caladinho, sem nome,

batendo com os dentes como guizo

do sem norte o palhaço mais forte,

que há dentro dos sós,

os nós,
os banguelas sem jeito, sem juízo.


Poder



__Mas, Felipe, eu já te disse que eu não posso mudar do meu serviço por sua causa. Você já é grande e entende.

__Pode sim. Você vai lá na chefe sua e fala pra chefe sua que você vai me levar na escola, vai me pegar na escola, que vai ficar comigo, e depooois vai trabalhar.

__Não, Felly! chega! Eu não posso!

__ Pode sim! Pode sim! ( Buáááááá!)

__Pára, Felipe, tá todo mundo olhando isso.

__ Deixa olhá, Buáááááá!

__Não po-s-s-o...

__Por quê não pode ficar?

__....

__ ...

__ Não.

__ Pode sim! Você pode mãe...Claro que você pode. Você já é uma pessoa grande. Grande.(mais buá-silêncio)


26 de nov de 2011

'Liberdade' - Charles Bukowski

EX-POEMA


Ex-Poema


Pisoteei- te
como um verme, na calçada
purobjeto;
e perdigotei-te
como um velho da sacada
por indevido dejeto.

E feito faca
que só recorta a carne crua
deixei-te em punho
foice e punhal
em morte dura, de renegado feto

Não me ame
não volte de novo para o meu fígado
pro meu inferno,
que aessaltura
a queimadura
cinzeou-me o terno.

Pra te soprar-te pra longe
pra esfregar minhas solas no teto
e esquecer-me do dia
quando os olhos tinham som de dance muz
e os soles no sky de mentira assavam dez copos de Guinness
de sentido amarga e jantar de velas.

C
era
Co
r
rea
fundida
revertida:
como sea luna
movida à mar
sentasse no meu kolo
e dezzo
rien tasse
a minha terra toda.
O ex-tômago se vira:
me lembro de que odeio
e engasgo,
tiro a dentaduraemiro
e cuspo-te de novo,
Palavraputa,que(rida) era.

24 de nov de 2011

O ex-mecânico Marcos Mariano da Silva, de 63 anos, que passou 19 anos preso injustamente, morreu no início da noite de anteontem em sua casa no bairro de Afogados, no Recife, enquanto dormia. Ele teve um enfarte durante o sono, algumas horas depois de saber que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia negado recurso do governo de Pernambuco e determinado o pagamento da segunda parcela de uma indenização por danos materiais e morais. O valor total da indenização era de R$ 2 milhões. Ela já havia recebido metade em 2009.

Marcos Mariano ficou cego por causa de estilhaço de bomba - Acervo JC Imagem-12/4/2007
Acervo JC Imagem-12/4/2007
Marcos Mariano ficou cego por causa de estilhaço de bomba

Mariano já esperava a decisão do STJ, que lhe foi repassada por telefone pelo seu advogado, José Afonso Bragança Borges, por volta das 15 horas. "Foi como se ele tivesse aguardado a corroboração da sua inocência para poder morrer em paz", afirmou o advogado, que acompanhou sua "agonia e luta para provar ser um homem digno e honrado".

O ex-mecânico foi preso, acusado de homicídio, em 1976, e solto seis anos depois, em 1982, quando o verdadeiro culpado foi preso. Três anos depois, em 1985, ele voltou à prisão. Mariano dirigia um caminhão quando foi parado em uma blitz. Para o policial que o abordou, ele constava como foragido por causa de um erro de comunicação entre órgãos do governo.

Marcos Mariano penou mais 13 anos na cadeia sem que ninguém desse crédito à sua história. Contraiu tuberculose e ficou cego ao ser atingido por estilhaços de bomba de gás lacrimogêneo jogada pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar durante uma rebelião no Presídio Aníbal Bruno.

Um mutirão judiciário reconheceu a injustiça e ele foi solto em 1998, quando entrou com a ação judicial contra o governo do Estado.

Desde então, diante da pressão da opinião pública, ele passou a receber uma pensão mensal de R$ 1 mil do governo pernambucano, que foi suspensa em 2009, quando recebeu a primeira parcela da indenização.

Marcos Mariano comprou uma casa, ajudou a família e passou a ter uma vida digna. Mas já não tinha alegria de viver, segundo o advogado, que se transformou em amigo. "Ele me dizia que vivia em um cárcere escuro e daria tudo para enxergar novamente."

Abandonado pela mulher e pelos 11 filhos depois de ser preso pela segunda vez, Mariano conheceu Lúcia, que acompanhava a mulher de um companheiro de cela nas visitas, e se casou com ela.

Seu corpo foi velado no Cemitério de Santo Amaro e o enterro ocorreu ontem.


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20 de nov de 2011

Preguiça da Obrigação, Obrigação da preguiça


                    Preguiça


Minha biblioteca está rica em livros que não leio
não os leio, não porque não haja tempo
e sim por preguiça, fadiga, enjoo e tédio
das páginas que me sabem sempre iguais
cheias das letras, dos versos, ciência, retórica vazia
com as traças que as fazem de almoço
e cupins que as tomam como importantes, no jantar.


Capas coloridas,que não me fazem proa ao mar
 bordadas, ornamentadas
em sépia, papel ou papelão
tudo sempre muito semelhante;
uma só coisa quando na parede recostadas.
Umidade, bolôr, a aspereza do terreno
tornam meus brincos retângulos em terços de cristão
daqueles que se tiram do armário
em horas de tristeza ou de natal,
como nas novenas tediosas curtidos,
pegos, apreciados no sofrimento santo
saindo das mãos das velhas beatas
em direção à parede, a aguardar o mogno silêncio.


Tento inverter a ordem, subverter o modo
encosto na estante, apreciada, e finjo ser noite de natal.
E como o terço de madeira velha
abro a noturna sessão das orações à luz das velas
E me vou rezando, rezando, contra todas as vontades
às piores causas centenárias
desterrando traças, expulsando cupins,
e como missa de domingo
saio antes do final,
deixando a prece pra uma outra hora qualquer.

Alguém quer brincar de...



 invadir o Iraque?


 Não.Essa brincadeira já enjoou...

Lady Diana's death reported by children


Diga X...



17 de nov de 2011

Sou só um carinha mujo a mais.





Mundo roxo,
mundo torto
Onde eu fico feliz
com ela.
Globo fosco, e o verbo rouco
quase sem gosto:
me gela.


Tirado bem da garganta
pisado sonido qualquer
praquilo que o grito adianta,
pesado brado tiver


me toma leve e vivo,
esse sentido
essa corda bem solta
do verso que a alma comigo,
pedir em prece revolta.


Sem Gringo forgado...

15 de nov de 2011

Night visions


 Hoje à noite, na minha profunda noite, estive perdido numa selva escura, e óbvia de tão perdida que era; sem gente, sem norte, sem pensamento; Montanhas de areias maiúsculas, resolvidas pra dar um fim nelas mesmas, me enganando e se movendo...A ausência de vida, de suporte de me sustentar, de pernas selvagens circulantes pela trilha, só uma coisa passeando verderrápida por umas árvores, como que indo embora de mim. É tudo real,não creia mais em mim. Não conseguia achar o caminho, subindo, descendo, tudo terminava na margem de um mar absoluto e sólido, pálido de surfistas épicos, sem brilhos e de areias. Era uma cela confortável e enorme, cheia de barreiras sutis e esperadas, pra fazer o prisioneiro-eu pensar que estivesse algum dia no mundo, ou num paraíso, nele mesmo, ou no vazio sem sorte do mais-fundo. Parecida com uma esquina, fechada, reta, irresoluta; e pra isso eu destruí o tudo e fui-me embora; as montanhas nada podiam ser do que toda essa gente de fora passando e vindo por mim sem me deixar nenhuma marca relevante; As areias secas do mar cenográfico, somente meus sentidos depositários e estáticos, esperando a tempestade quase-nova para se diminuir e ir-se voando e chovendo sobre tudo quanto me for feliz ou doído, e doido, sem acentos; apenas com corações à caça dos bichos vivos do de fora do que me resta.(Esta/estrada/sem {v}ida)
(Está[
/ex-tra-da////
/s/
e/
m {v;;;;;;;/;;;;;;;;;;
}ida)

14 de nov de 2011

não consigo mais terminar


Hoje me fiz uma questão mórbida,
quase proibida
que fez minha alma sentir batida pesada
Como vão os mortos?
Passam bem?
Sentem bem?
Ao menos vivem
como me foi prometido na missa?
Questionei sobre o limbo, sobre possível o purgar das almas
debaixo de um céu que creio não ser meu paraíso
acima da marquise das esperanças construídas, fundamentadas.
E neste lugar, onde vão surgindo avós, primos, amigos,
carregados pelo cheiro lúgubre dos ausentes
eles vêm dispersos, com os olhos pregados de quem revive
com a pele acesa artificialmente em seda piaçava.Lembro-me dos frutos secos, sem gosto.
Me cobram, me julgam, me dançam, e choram, sem compasso:
Que fizeste? Que fizeste com minhas obras, meu legado? Perguntam-me
sinto-me, por um dia, como um anjo que não presta,
que não devota a devida atenção ao velho, ao transcorrer remoto
O céu escurece, tenho medo, receio o castigo
tenho o defeito agnóstico da falta de apelo santo, de santidade
vou clamando, portanto, em lista, dos deuses que lembro, o perdão
nuvens, páduas, egípcias, clérigos exemplares, arcanjos suaves
perdidos caboclos, impiedosos orixás.
Ninguém conserta meu verso.

The Adventures of Rain Dance Maggie [Official Mu...

All things must pass

Sobre a falta.

O problema da falta é aquela outra, que tem por dentro o homem e o seu maior vão. Não possuir mais alma, não ter valor algum para supri-la com vestes, divertimentos; nada na boca, nos olhos e ouvidos. Ter dois cofres vazios, ecoantes, como cachaças com sede.

The last time I saw Richard

mais jam



João não queria sair.Achou melhor proseguir com aquela pilha de videos antigos, com Charles Bronson e outro gangsters das armas, que eram estrelas principais.Os diálogos que se seguiam eram curtos, gritados, e o volume da tv meio alto; somente a claridade dela acesa.
Bronson possuía, além de rosto de malandro, um jeitão bem arquetípico, que o divertia muito: a mesma feição que servia para gargalhar com o olhos de alguma tolice dos companheiros de patrulhas era a mesma que se fechava, como o punho, sobre os mal-feitores.Se era pra por qualquer um contra parede, sacar a lanterna pra fazer economia da coronha, e fazer o homem gritar a própria alma em verso petrárquico, era com ele isso, sem muita dó.Detinha, como um farmacêutico ao doente, a dosagem exata dos seus golpes.Não precisava decifrar, por entre letras tortas, as indicações médicas, pois tinha intuitivo, homeopático método.
Fazer uma poesia por dia não é sinal de sossego
Amar todas as noites, do jeito que se dorme, é utópico, doente.
As conta-gotas da vida e dos versos me são bem-vindas.


Se só sei falar português, que assim seja
não tenho culpa de meu cérebro a dizer tanto, e somente essa;
eu não me penalizo nas minhas fronteiras.


Se sou ignorante no verso ou na rima, não me espanto
ou se falo errado, gaguejo, e às palavras dou maus-tratos
não me importo em ser mais um.


Não vou me bater se da viola sair uma canção
sem nota inteira, sem método, em desafino
nem censurar-me, como se eu fosse o outro, o do rancor pelo beijo não ganho, mal-recebido.


E se vier aplauso, que venha, não me alardeio;
já os ouço do mesmo modo com que soa o esperado ruído
da vaia, com a mesma calma.


Isso, e só disso tudo, sereno
é por necessidade de perder, de sentir-se como último de si
Levar uma volta, um drible, uma aposta.Retardatário do próprio espírito.


Sem mais doar de mim, qualquer gota falseada de uma luz: ‘sabedorias’
passo encerrando, como prometido, sem simulacros ou coroas
com uma cor não cintilante, de mais um suficiente, irregular, não-heróico verso.

13 de nov de 2011

Outra Jam


E por qual motivo o poeta chora
de desencanto, e de raiva aflora
por saber que de seus tantos
de muitos anos, ninguém mais lembra*
para que então tanto pranto?
para que então tamanha licença?

Uma Jam


Enfim, o meu feto já nascia com dentes afiados e podres, pra praticar uma só mordida, uma única vez. Ele urrava palavras doces e impronunciáveis; ele saltava como um sapo a explodir-sem-ar-o mar-da-morte; ele sugava com força os peitos morais, imaginários e reais, feria-os. Grajew se sentia, pela primeira vez, completamente sugada; talvez ela pudesse ter achado que vida de terapeuta seria mais tranquila, e que o sol teria sua função decorativa na paisagem exata, livre do lixo, da poeira e dos riscos. Talvez tenha pensado que puderia controlar todos os raios e apenas tirar deles o proveitoso e científico blasé do bronze das dores, e que elas não fossem capazes de queimar assim tão fundo, nunca fariam desses nobres sujeitos, tão predispostos à vida-de-merda-eterna, cobaias perpétuas, esquecidas no frio do ressecamento tão intenso, não mais homem e mulher, mas jabás mornos ao sol redundante do congelado dia.

boazinha


é teu %@, man.

12 de nov de 2011

MP(3) Mim Para 3 G


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Deixa-me
(play)
gravar-te em meus olhos
pra que eu te ria,
mais e mais
Permita-me que em meio disco
(uma dança)
que se dirija ao teu nome,
(em eterno)
pause two reward award
e acorde os dias
na minha vontade aos teus (olhos abertos)
bem abertos,
sempre abertos

"vem Kafkar comigo" ( ouvindo inimigos do rei)

Um belo dia Gregor Sansa acordou literalmente virado no cão, ou melhor, virado no inseto. Não Imaginava ainda que nunca, nunca mais teria como ofício o fardo de ser o orgulho alheio; O filho querido, o irmão sábio e protetor, o empregado eficiente e submisso morrera; O que havia no lugar era um ser corpuloso e nojento, do qual todos os que antes lhe devotavam afeto, ou quando não o mínimo depósito de respeito, agora tratariam de isolar e afastar; de fingir que jamais nascera, pensara ou sequer existira. Gregor já não mais conviria à vida.

9 de nov de 2011

Kallo



E toda essa desilusão
me põe escorpião das couraças.
que, camada, pós-camada
me recobre das ardidas palavras.

E essa reclusão
que me espia ,
do de ser confuso da alma,
que me ferroa,
na sedenta, repetida memória,
remoer de mágoas,
sem venenos
me desgasta.

Me arranque
please
da tua parede de algures
me odeie
como quem brota da palha,
mas jamais me pressione
pra ser leve,
me condicione,
apenas a casca
markka-contra-pele
pra que não morramos
de fogo
eu e tu.

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