24 de dez de 2013




O devaneio epilético.



O devaneio é uma palavra batida ,
quando se bateu o convulsivo o nojento o dizer
nada-c0m-nada, cabeça no solo
E ninguém para babar em devaneio mais alto – libertai!
Sambou com o coco no piso do diluvio, gelado azulejo
e todos fugiram
do homem, sem lapso,
nem para indigno, apará-lo,
em devaneio,
Palavra mais baixa. Correm.
Corredores;
Mas como eu tenho nojo
de quem não se devaneia em nada*


*não se debate


Juliano Salustiano


5 de nov de 2013

Espião



Eu vou comer a mulher do xá do Irã com bolachas

mas o chá é nosso amigo

e em cima da mesa desnuda

A mulher do chá do Irã é xarmosa

servindo bolachas diplomáticas


Com tanto açúcar na mesa

vou trazer komeímem de volta

e o demônio de Aladin

que com Zaratustra hão

hão de cozer o céus ...

TIn!

esbarra a barra do bule na chica

e esbarra na minha barra de torrão sugar

a cala da saia da mulher do Xá

eu vou trazer as serpentes pictóricas pra ela

cafés

Ipods

e todas as novidades da minha língua ocidental

Vou converter o teu busto

reverter os teus filhos antes de devorar a eles - com chá -

e tin!

esbarra outra barra de colher na ponta do dente obturado do Xá

posto que isso tolhe meu sonho, e talha o discurso

O xá tem os talheres no bolso ...

Colher, joia e faca.

Nus olhamos imagem reversa no inox do bule

eu vou comer tudo com bolachas ...


Mas o komeímen chegou

a desatar com as armas desses dois-

e ela foi-se embora com ele

está terminado :

o Chá com o chato de ser espião

Mas eu sou amigo da mulher do Xá.

Isso agora é um risco.

um'água amarga demais. Me Mate.

E estou preso na embaixada.

12 de out de 2013

Papel de parede





Existe um conflito secreto, certo, entre o papel e o pensamento. Tento deixar tudo correto entre a gente, escrevendo, tentando mais. O papel, apesar de tudo, é o corpo todo tatuado: quanto mais se tatua, mais é corpo, espaço pronominal desocupado, ponto de chuva. . Quarto é quadridimensional, corpo também; tatoos são simples , cobrem, e só doem uma vez na vida – sentimento covarde de ter como prêmio um desenho heroico que te despe enquanto visto, e te encobre quando desvendado, justo quando queres notar-se em alguma galeria de undergrounds – Corpo se enche d'água com choro, e mais água, mais se traga se se afoga. Incha, contorce e roxeia – tem coxas que pixealizam e curvam sem dó, se embaralham com o tempo – tatuagem de marinheiro desbota … tem de ser refeita e dói mais a marca, marcar-se outra vez – Enquanto se vai tudo isso, todo esse gasto de desenho e escrita, corpo apenas faz design consigo, abastecido do gás infinito da petrolífera da gravidade … Às vezes, nem isso, flutua em tempestade, ventos e pedras, e então se machuca; e venta também para ferir a corpos outros, parceira de almas dessemelhantes, como numa disputa de balões coloridos de grosso e carne … Tenta-se trocar toda essa tinta cor de amor e zelo; se sorri; se acena, se erra absurdos, inverte-se e faz-se, sob os mesmos vícios – cocaína, celular e shopping center – sexo, correta e indeterminadamente. 



És honesto dando o corpo só enquanto se está bobo, que para bobeira se faz beijo e coito, e depois disso apenas paz, cisne branco em noite de lua, sendo que não exista cisne, e haja um corpo num apê minúsculo, na ponta do precipício, é a sina tensa, e é urgente uma caneta. Dia nublado, e a marca sideral de um grafiteiro iniciante no pernoite das artes, lembra vinte anos ao corpo passado de que é cuidado e rápido dar nomes novos aos mesmo livros, plano que a a tattoo do marinheiro esteve esticada, intacta – e incapaz. 





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8 de out de 2013

Outubro



OUTUBRO




Parece que não existo
e se existo
é aquilo que já se foi
E então ?
Alugado,
o corpo pede sinal para continuar,
persistir só e ausente.
Tanto faz se os seus olhos me confundem,
se nem sou eu quem sequer arco
nem moro em mim
Certeza agora
de que não exista nem pelo canto
e se existo, repito, talvez dos canos
a janela tomou fora
e lançou à alma ao corpo
duro da rua, com outras
mortas que tanto trabalha
para continuar a alugar esse direito
eterno
de persistir ausente
de tanto faz
e parecer que existo, repito, é
recurso último
mais um sinal de vida
de se dizer isso.
E então ?
Se chove
a semelhança parece
                              luxúria
de um natural que sem espaço
reza à pádega equilibrando a moringa


Olha para frente, ´é vida
ei que vai ri em minhas costas
e parece não existir
espírito fugido
além do esbranquiço quebrado apenas
                                                    a mi


provavelmente a
fonte escura
do que espanta
a bem
com o mal
e o mau
com moral
há de estar desfeita
com qual moral,
se existir é portar
apenas
indo-se embora numa água
como gente desconhecida?


09-09-2013


Juliano Salustiano
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6 de out de 2013



I


Coquetel.
mais que isso,
coquetel,
Rafael e
São Miguel
pedem licença
nem queiram saber o que maquina a moral em seu silêncio
Coquetel
Minha morada repetida e mestiça
Contraditório biombo do nosso couro politicamente certo,
Sintético –


Êxtase é tanta
(Faz-se tonta
e faz de conta)
o pensamento só sabe meter fila nas portas do meu céu
e tão acrílicos são os muros, tímidos demais


que eu só posso gritar- te
em quartos de hotel.


II


Caíste do céu ?
Do céu, pois no céu
não se toca batida de funk, de reggae
ou de estacas.
Cri-te tu no salão do monogâmico:
amor e praga,
gêmeos idênticos,
e perdeste a idade contando estrelas mortas
há tantos mil anos;




Este céu
vai cheio de palavras desusadas, notaste
só as têm embaralhadas e nuvens
tudo quando gozas, per vistos, permissivas do nu queixo
no que o tempo te concedes;


Velhos pedem meninas lacrimosas
e, como olhos,se dão sem malícia
nenhuma
vão
viver no céu
a acariciar românticas páginas de e-mails


E sem gosto em em sequestro ficas com tudo lá...
sendo depois de try
cry
e quase die,
secas, porém sexy,
caminham ao meu lastro
quarto de hotel
aonde o amor não se faz...


Orgulhosas,
fingem ver os ratos que te recebem,
sendo que não se fossem familiares nossos vivendo em suspenso,
geração em geração,
geração e geração …
Insistes nos falsos
e investes nos fatos desse asfalto breve
em que andar é sem lógica nenhuma, sobrepor-se – e seu infarto e vasto delírio
espírito
numa caixa de sapatos.


Sei que os cubículos não te negam
e seja mais uma delas,
na estrada estranha...
estranhas?
Prossegue como quem quisesse volta ao céu ;
um show de stand up
stand it down para amarrar o tênis;
a soar tudo uma palhacice desfeita:
eu pintado
nesse quarto vasto
já de rosto no colchão
um aquário de pólvora
e mel …


E você já sabe em finitos ecos
onde eu posso te gritar,
(Leocádia-faz-de-conta. )
em quartos de hotel.






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Das cores





Das Colores




Azul bem postado
é
azul
de andar na linha
torn'esperante
quando em medo
rentando' em tédio
estação de trem
achegar
Amarelo,


Dos dois
carrões bois
verde brota
bois de vida
Bruto 'Diamantina
resolve calhar em selva


C'O
sinal vermelho do sangue de Eros
encontra
e nem s' encosta
que se carpe
dá-se em merdas
Fico marrom
Qual a cor
da madeira
da messa
e da
Canoa do dilúvio.




Marrom como
teus olhos


Ou como cerveja
a cor de cornos,


Podre
de insucesso


Vou me
de preto pela rua
até a pax
cato palavra sua:
preto
passo preto
com triste'
calma
E sombra
'té mais ou menos
baixozolhos
forrar a rua
leite domínio
e pasmo em cinza.


Garoa indecente
garoa
descende
da lua à cara:
retida uma
de enuviar
transpareceste outra
vigiam aos meus:
retinas cor de águas
sabe deus se agora
eu veja
ti como' um espelho
e mais nada.




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5 de out de 2013

A UMA FUTURA ATRIZ ,GAVCHA



A UMA FUTURA ATRIZ ,GAVCHA

               Uma atriz, Gaúcha.
Vírgula,
mais uma
suspira
e se pendura.
Sem orquestra, sua voz salta e com ela
Pulsa com frequência e ondula com cabelos e fazeres-o-quês.
Morena de lustra Porto Alegre os seus pormenores, numa caixa de joias
mas quite as costelas de um homem copiado do que o doído alheio se te adivinhas
Adivinhas?
Divinizas?
morena do baixo tablado extensão do calcanio, espezinha onde encena tudo
Quem a acena perde os sinais de fortuna ganha, compromisso e anéis de amarrar vidas em teu gracejo]
Morena
a cena cala
refaz e emuda;
' morena, se banha com a luz de coxia e vozeado
onde aprende tudo que não imitas. Sequer prepara.
Chega em casa e esquece dos penteados que perdeste?
Deste voz a siba muda esse elétrico painel automático de mundos ?
Pneumas respiras elétrica quando te pensas fundo perto do vento ?
Cubra-se nos braços, que está frio, tenho vontade de dizer,
mas jaz na luz completa o intervalo em que estaca. Passa com pressa. Morena de luzes múltiplas, imediatas,
gaúcha e virgulada, estaca os saltos na rua depois do espetáculo...
Mas eu não sei, não sei nada dela
e isso podia ser falado por ela mesma e seus pormenores: mais de quarenta personagens que se compõem a pulso e febre
passos que de lebres que ponham célebres dos coletivos mudos, cheios de gente e sem história nenhuma;
ficas, ficou. Desdêmona cá, mas já estas viva ali, de novo ...
E puft,
viraste pássaro desconhecido.
Agora vais passada de reboque e sombras – é noite de ato sério –
tira num segundo o gargalo e blanche-
Guerras de Colorados, Blancos –
Não identifico a peça ...Vim aqui para falar mal do texto e enxergá-la; e só.
Vais atrás de outras personas, lá na sombra do pé de carne e rosto a rebrotá-la:
usa-as.
Não julgue que seja assim essa humana de sorte vultuosa uma pétala ou coisa crível
vez que guarda terapias de redução e a máquina de se rebolar no seu dedo médio;
atente e prove ir vê-la de Cuia, guria a homem, a depender do desfeito dito. Xinga e manda-te para a casa do ensaio.
Só que por ser muito delgado meu olho e a fileira do mundo que ocupo, nem nos vemos.
Pago uma fortuna para ser submetido mais de alguns minutos.
Estás livre para amarrar o povo como quer.
Quanto mais solta, mais impressa e desinteressa o que se diz,
se dito por aquela de careta pouco fiável
e breve no inox de sua anima, a refletir.
Luz de canhão se apaga, e
uma certa futura atriz gaúcha necessita ser um pouco dela; descansar desse giro, entrar em bancos, tomar ônibus, monotonias, opacar-se talvez;]
dai para dentro é intimidade, e só a poesia é quem sabe...
Procuro uma desculpa de voltar pra casa.
Tem de ser mentira boa,
porque diante dela, o ausente palco dela,
inserido, inciso dela, como lei e garfa
dessa mulher e virga,
sou o único que não finjo estar desfeito.




Juliano Salustiano.












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15 de set de 2013

Coletivo

Mulher bonita

mulher bonita
entra no ônibus
o ônibus para
para pra entrar
mais mulher bonita
antes que o tráfego ande
Mas como não anda
lota
e paralisam-se as Amélias.
Mulher bonita
não dá sinal
'que o ônibus encosta
machos não encostam
só olham
preferem se segurar nas ilustres barras de ferro
supor o seu itinerário
Já vai,
Já Vai,
e foi-se a última.
Para onde será que vão? São uma só?
Não farão final conosco. Claro.
Desce
e ninguém mais se lembra
que o ônibus nem é esse. 'que todos pegam



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16 de ago de 2013

Confissão


Confissão


Ela disse que queria só amizade;
e meu presidente disse que ia tudo bem.
Células se multiplicam com pena de serem cópias desiguais.
Não uso meu sorriso para além do dia e  da simpatia, e o Gallileo é meu guizo.
Como uma igreja ambulante
perco a fidelidade, que vaza pelas praças entre crises e cristais
quermesses mortas, e bailes funk. Tudo não presta fora de si.
Mas, se o dentro de si existe, como templo, um vazio e Michelângelo,
uma estalactite desponta como um manto e corroí o que preenche o sol que me poupo. 
Venero a agnose no mundo dos agnósticos , e pensar nisso parece a minha heresia prima.
E no planeta dos diagnósticos, eu ainda remoo ódios, e eles dão  apelido ao ocitano ócio, beira de praia, quando vejo casais abraçados; elucubro sexo entre os tais nas ruas em que cruzo, mas sem que eu me existisse de fato entre eles; só mais um voyeur, 
galvanizando antimoral um pombo ou noutra figura urbe e clássica.
Espia, fezes, espia, e faz-se assim a crítica e o pensamento. Não se veem com curiosidade e gansos os acidentes de moto ?
Minha cobertura é menos nociva...
O céu me conta que hoje será frio
meu coração, não. Insiste em ver. Doutrinas, nuvens e piadas são irmãs antigas.Preveja, e Outro dia elas nem aterrorizam mais.
Lamuriosa , sem glamour e digna, que  não traz lágrima. Estação de metrô . Que foi? Está sozinho ? Está mudo ? Cansado e omisso ? Está doente? Tá mais para povo?  que sente e implora? Como?!
Pena em não ser como o gás? remorso?
São treze Ave Marias para livrar-me o mal
Vão treze canais a cabo me instruindo
e
fotos contestando a minha tristeza, dez mil delas :
clico
e apareço.
Clico;
e vou eu de novo, montado num burro
clique :
e aquela  viagem para Parati.
Tinha ido eu para Parati!? Nem me lembrava.
Tinha ido se me lembrasse de que não lembraria ?
Meu orgulho disse que sim.
Copacabana não precisa ser a minha princesinha.
Copacabana só precisa brilhar. Ser amante com uma estrela falsa;
lixo para pegar de manhã; e o pego.  Que não Conste no meu ábum.
Detesto mar.
meu tio morreu afogado ...
mas disso não se fala.
Clico ... e quem é esse ?
detesto palavrão escrito em forma de elogio.
deleto.
e não convenço de que a minha gramática não deve ter inglês. Somos criados assim, para sermos em inglês, de só se querer, e não sermos assim.
Não durmo bem. Tudo indica que penso.        
Meu pensamento diz que quer só amizade.
clamo pra que não seja via web. Quero comigo.
São cinco padres nossos todos os dias
e cinco poesias cínicas para acobertar o péssimo :
Homens donos de terras e de gente foram donos de toda a Terra
há mil anos atrás,
e com o hoje vai-se tudo assim também.Repetindo.
Como sinos da capela grande, a engolir os Titãs que hora nos vencem; culpa que desminto ter.
Detesto moscas, mas elas são úteis.Bein!

4 de ago de 2013

Título da postagem



Branca
Pedra que foi dissolvida
Do Sal
Branca
Pedra que não foi resolvida
Da cal

Selvagem raspe a pele  sem culpa nenhuma
Da curva

Despida de chuva até que se cura
Essa litofagia
De afagá-la 

Branca

Mágoa mole velha e dura
Tanto charme até que chula
E Rima nada

Comigo nada.

Só nas fachadas
E nos necrotérios


Branca
Pedra que foi possuida
De Mal
De metal dos ébrios

Escrevo-na bêbado como uma
Pedra.
E sai exata :
Pedra
Branca
ânima
Animada.

Descrevo-a sobre  a mesa :
28 a zero
Vinte nove anos
Sem ao menos
Uma pintinha
Preta
Tombar tambor
Sentindo o teu efeito. 
Não jogo.

Pedra
Refeita
Não é pedra
É folha de papel. Reencontro.
E desde já
Só uso cartolina
Pra não lembrar

Pedra branca
Mansa
Onde pousa passarinho
Ouro fino
E memória .

És mulher
assim que eu te largue
Mesmo que eu te largue
Pedra do largo
E vestida mesmo quando nua

Pedra branca
Como a cachaça
Não tem graça saber
Que se repete no poema de outro.

Escasso tema
Pedra poema
Coisa de corno.
Que tal eu chamar você de gema
Pra pois Quando amarela
Um roteiro novo ?
Pedra branca
No entanto
No roteiro das minas
Ou de Estocolmo

Existe
E  sequer posso pichá-la
Gritar com nome que deveria

Pois malha-a
a chuva
e a luz do dia
como de milha
rica em existir intacta
mais que o debater da minha
litofilia

Branca
Que foi querida
Do tal 
Até inteir’ela
Derreter-me a vida. 

Juliano Salustiano
Prefiro it, a importunar-te it, sabes. Sei.






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