1 de abr. de 2012

Estalagem


 estalagem



Estarei _procrastinante

não estou_ o funcionário

estava_ mentiroso

sim senhor,
estarei_ o pretensioso

já estive_ o saudosista

estaria_ o frustrado futuro

estará_ o sol de novo, quando rodar o tudo

estivera_ o arcaico

estais_ fuja deste! Está fora do mundo!

Estiverdes_ o morto no sepulcro

estivemos_ o casal, no tribunal, mudo

estamos_ o coletivista

sim, estás_ o otimista

estivestes_ a frauda do morto no mundo

estáveis_ os condenados à morte

estivésseis_ os torturadores, sem sorte

estão_ o dedo duro, do funcionário, sujo

embora estejas_ o confiante

tô_ o tão moderno

e tá, sim _ o de tão esperto

estávamos_ nesse verso nu

até deixar de se estar_ ser e sair.

Que estejais aqui:

Está_Sou eu .Está_és tu


São Paulo_Madri_Paris_Paulo insano



 Convite coletivo:
Leocádia doce,vamos em Madri
e é bem aqui, na rua de cima,
vamos gastar nossas horas sentados
lado alado
e champanhe corado
um amasso apertado
tem boto, lenda do rio e motocicleta...
garotas de bocas abertas
de lobos, soltas, cansadas
de tanto parar e ver como somos aço
e de pedra à carne como quando somos de raiva.
Vamos em Paris,
desejo é que arma a rima
nós fumamos muito sem cigarro
bebemos tanto sem abrir o copo, dançamos tontos,
prontos pra revolução do metal,
fundidos estamos,
lascaram se os planos
queremos um céu de phone pra avisar o hell de que jamais chegaremos ao ponto...
pues somos viciantes, modernos
multiuso, pequenos.
Um cego
dois cegos
três cegos: São Paulo, final de tarde avulsa.
Temos ódios das bolas, que apertamos para vencer o asco de vencer sempre, Luiz Carlos Berrini mente. Das de praia e de foda nova, que batem nas manias dunas brandas, dos tubos de TV,
a preço baixo
alguma coisa parecida com Miami ou a Palmatória da Maloca,
Barracas e barracos se casando em sua borda, insana.
Tem novas torres de cal surgindo
brancas por dentro e por fora
flores covas, nos quintais de menta, que arames de alardes me entras: 220V na minha bunda, se eu me atrever a ter vida, ater renda.


26 de mar. de 2012

Sobre a Falta

Sábado e Domingo são uma  fotografia que não realizo. O tempo que gasto procurando registrar ela, essa vontade de te abraçar como Brama Fez com o vento no escuro no início do tempo no mundo, é sempre menor que o bastante do tempo que aproveito nas 48 Horas de apego ao que mais quero: te agarrar claramente, com direito a unhas nas costas, falta de conversa e baba de cão escorrendo nas vigas das casas urbanas das vidas quadradas...o seu apartamento.

Desesperado, eu posto mais de trinta fotos sorrindo na parede do mural, elas estão pouco sortidas: coisas de praia, de festa, de estrada...; eu tento sorrir em  todas elas como se a pele fosse vagem rica que não fosse ficar jamais extinta, apenas pipocar quando fosse a hora de fingir e de ser confundida com o milho. Eu  tenho que fazer em cada uma brilhar mais os olhos de vampiro {que não os trato na imagem por não saber como borrar mais, de medo, na imagem},para me ser amável a insana pergunta jamais usada com conveniente  e tao cheirosa mentira, que é aquela de me imaginar como ser possível não urrar de tanta felicidade em vida;  e responder, breve, com outro sorriso chiclete para a minha mágoa, apagando com o infravermelho do flash da moda de ser latão de brilho, morar no desapego de morte por estar já ali, e sempre, segunda-feira. Trinta poses quentes de solidão na casa de Shankar, a máquina e  eu, o breu e a lástima. Máxima, que me sobre a tua falta.

25 de mar. de 2012

Língua


Língua



és tão fria
e tam rica
de fatias
de pá comê
de pra almoçar
ter de enterrar
pá ti amar

míngua

mal merecida
que de tão chica
francisca
-no mesmo nome-
que pra alcançar
para alisar
pra ti falar
sem nome
é ser minha
sem l i n h a
pra onde
se
me
em
si morde
e não
It
is
se
és
plode

Liga, cheia,

toda a sabida briga
pra ser suja
contrária figa
trapo,
de boi
de sogra e intriga,
que es vero
sugar sua filha:
a saliva...
mulherómem
pra mal falar
de sá pegar
peixeira, faca de estar
o afeto corte.
A Língua mina. Esquista que não te estranho o bem. escorre.

A Parking Meet Up



A Parking Meet up



Você pode subir pela rua verde mato
em aves, quase sem morrer do coração em buzinar
procura um canto pra encostar o lebre inox do seu carro
mas mais velozes sempre tomam o seu lugar- parecem ter nascido cheirando velas; elas estão para elas-
pode engatar sua segunda-feira e ir na esquina
fazer retorno e piscar com seu perdão
pisa e procura a vaga una no pátio de um beijo dela... liga o tune do rádio, dá mais uma passeada buscando;
ela está para idoso agora, paralítico depois.
Preso aqui, lacrado, farol laranja piscando, o vento não contorna os fios altos, caminhões passando
caos esportivos com dentes brancos; falta de luz, a pesar com o morto trânsito.
Todos indo até ela primeiro, pagando, acelerado, deslizando o espelho dos corpos dos chassis porcos sobre ela, óleo, olho sobre a casca da terra … que é [ella] deitada, casaca aberta;
já se perdeu o gosto do filho, que virou gás natural,água encanada, e o nu mero das placas
Eu tento ser hilário enquanto tiram racha no parking meet up dela
[de]vaga fala meu jeito é em ser nada quando não te encontro
e sai gelada a fumaça:
você não pode me achar e sorrir para me esconder que não há mais vagas?
Desço seco a rua
motoqueiros queridos voando
indo pela calçada, eu já perdi as portas de trás
a avenida quer acelerar agora do medo que tem do tamanho medo que eu perdi,um novo uno, como das portas, desatino de de si.
Eu não quero sequer falar das memórias atropeladas, daquele velho desejo cansado em te cambiar por troco; do flanela que te esfregava pelo pouco e necessário; do homem amarelo e rouco que não era amor e nem casado, com quem você ia ser mensalmente digna, e também matei
ou com a romântica menina de quinze que queria ser contadora de borrões de crematório...
Eu vou chegando ao parking,
já derreti três voyages e um Pampa com vontade de chegar a você, tão delimitada, marcas branquinhas nas bordas do que o piche não queimou, pra onde é de o se estar por dentro e não mais na rua, mar à vista, sem terra, ilha.
Nem mais fiz barulho quando cheguei. O motor só treme por enquanto, eu empurro o destroço de carga sem calças, aos trancos; não tenho mais planos, vou cacho em ladeira, fruta redonda pavor de que dê tudo perto, pernas queimada, água de rádio;
tem outro inox saveiro, novo e baixo no seu espaço
e yo, o quase prata que foi já azul metálico com pneus e único dono, sem mais um trilho, sem governo na direção dos dois, divido o espasmo de querer à força o que não tive, e no meio da cidade me engancho como nave em nossa:
desejo;
homem, máquina, homem -quero enfrentar o sempre que deixo de nunca tentar te invadir e ficar no beiral do sem par, sem ritmo.
Eu venço mais um, apago a saveiro, devolvo ela pro mundo do ferro em uso e do uso inferno e me deito nos limites teus, das brancas marcas.
O asfalto quente cresce nas minhas costas, que vão virando fritas coisas, mas não posso ceder a minha vaga para os que aceleram além;
Estão em fila o Porsche, o Mustangue -e os outros nomes que não sei, não-pobres, que vivem sem o prazer de se desmanchar e reclamar como eu reclamo, devagar- eles querem parar agora [e sempre] sobre a pele cascada dela, mas eu já sou-me lata, fritando, endo absorvido pela vaga, sendo a marca, reservado para mim, perpétua e intransferível- podem agora os nobres acelerar por cima, [e o fizeram!] Que nunca estarão mais em contato com aquela que já tinha sido tão vazia e usada, só agora com o morto que foi carro, manto e calçada, arrasou o mudo empecilho do tempo e pousou como mosca compactada na órbita dela, veio o mundo e desabou: carro branco, Kombi, Mercedez, todos sem acesso a pele quente e infinita da sempre minha, que preencho com corpo, já que a alma sempre me foi do esboço dela, e ela respirou finalmente forte quando enfim cheguei e não me fui. Sou eu, agora, a sua vaga, a que a negra-branca parada tanto buscava.

São Paulo, estacionamento do Joca, 25 de Março de 2012.constituídos pela primeira vez.

19 de mar. de 2012

3 de Sete[L]embro



Eu desisti de escrever a poesia desta noite por pensar que seja inútil grafar tudo isso. Era um poema sobre tristeza, como todo o que faço, ou de uma alegria de não estar fingindo que fui triste, como eu penso. Cheguei de fato a concluir ele em muito espaço e com esforço de quem tece o passado; não sei o que dizer, sem ter, martelei tanto e acabei não gostando do resultado- Essa fome pelo perfeito me cansa. Talvez admitir que este tipo de ânsia seja um começo meio bom para alguma coisa...Pode ser que eu admita e considere o quanto eu não sou o que gostaria de ser enquanto quem escreve- palavra enrolada- um ser mau-suficiente; ou ainda que eu seja um bom, bem-agradecido, que não é capaz de admirar o médio-médio, o nada-além que sempre fora ao acaso.

14 de mar. de 2012

2 de Março

Eu quero ser mês de Março agora. e começar no Domingo afundado em depressão enquanto o Chevy vai na estrada com vento requentado da Serra de qualquer lugar dessa vida. Eu quero ser todo dia  segunda-feira, e me cansar ensopado na camisa pólo de marca obscura; eu quero ser o tempo, que vai congelar com o frio da sala das paredes com fungos quando chegarmos nós dois ao topo do prédio menos comprido da cidade; massa corrida nas nossas veias, emotivas, com fobia do que haverá de fora.

Vamos ser Dezembro agora, em qualquer ponto e sumir enquanto os fogos penam em brincar de imitar a felicidade emulada e fedida que só nós dois podemos saber por entre o cheiro...
Eu quero é ser Janeiro...e brincar de ser tudo enquanto sou ócio com o beiço em seu maço de corpo, pescoço e braço, retalho.

 Eu quero ser Julho no seu olho esquerdo, e ver com o meu direito o inverso que é ter completo na metade tua, espelho; outono, spring nua.

Agosto, e eu quero uivar, chorar, ficar doente. Quero, que por todos os anos, sejamos essa multidão de dois nós, Leocádia, e que tenhamos ciúmes mortais desse muito vivo, do quanto nos esbarramos sem medo ou dedos por aqueles quartos eternos dos nossos atos boçais e nervos.Setembro; e eu ainda quero ser começo de Março, Leocádia. Ainda quero.

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