19 de fev. de 2016

Notícias em cadeia

















Notícias em cadeia



Homem de rua esfaqueia cachorro
Após o crime, homem de rua é agredido por moradores
Moradores são chamados para depor sobre morte de homem. Dois são indiciados e levados para a delegacia central.
Presos da delegacia central da cidade reclamam de superlotação. Houve tentativa de fuga.
Secretário de segurança pública classifica situação no presídio da delegacia central: animalesca. 
Fuga na delegacia central. Um guarda ferido à faca.
Moradores da cidade se “escondem” após fuga em massa.
Homem é encontrado morto a facadas em área rural da cidade. Polícia apura vingança.
Fuga de delegacia: dois são recapturados.
Fugitivos da delegacia central executaram homem em estrada, diz delegado.
Novo sistema de vigilância é implantado na cidade. 87,4% dos moradores aprovam a medida
Caso da estrada velha: vingança motivou crime; vítima teria denunciado linchadores de andarilho.
Secretário de segurança é convidado para o Ministério da Justiça, mas faz mistério: ‘conjuntura de cortes preocupa’, diz ele. 
Cães farejadores encontram armas e drogas em varredura na delegacia central.
Câmeras de vigilância flagram mulher abandonando bebê em orelhão da cidade.
Presos de delegacia são transferidos para cadeia estadual após nova rebelião.
Secretário interino de segurança nega envolvimento em “escândalo das câmeras”.
Mulher é detida por abandono de bebê.
Guardas da cadeia central entram em greve. Chantagem barata, condena secretário.
Novo ministro da justiça assume e assina petição por Estatuto das Lontras.
“Meu marido foi morto na estrada e não tenho condição (sic)”, justifica mãe presa por abandono.
Milícia extorquia moradores e comerciantes da cidade.  Guarda da delegacia central e policiais são suspeitos.
Esposa de secretário de segurança tinha empresa em nome de laranjas. Esquema beneficiaria ‘máfia das câmeras’.  
Acordo põe fim à paralisação.
Crimes caem 45% na cidade de após instalação de sistema de vigilância. 
Justiça revoga prisão de supostos Paramilitares. Processo administrativo segue em curso.
‘Arrependida’: leia exclusiva com a mãe de criança abandonada. “Meu tesouro”, revela.
Cão esfaqueado em Março é adotado por carroceiro. “Agora só come carreteiro e traíra”, ri o senhor de 57 anos.
Novo programa de recapeamento chega à área rural da cidade. Fique atento às interdições.
Esposa do secretário de segurança participa de ação social em feira de adoção de Pets: “Temos que ajudar nossos maiores e leais amigos”, felicita.
Moradores da capital dormem tranquilos após governo aprovar a nova ‘Lei do Silêncio’.
Cultura e amenidades: Camelo e Anitta agitam o fim de semana de shows na orla.
 Prepare-se!


Juliano Salustiano.






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2 de fev. de 2016

2 de Fevereiro (OTTO - JANAÍNA)





Já no mar, Janaína não pode ameaçar ninguém. Do mar, Janaína não pôde ouvir três séculos de dor de calçadas de seus seguidores tristes e broncudos, nesta terra americana cuja parte mais gostosa tem o seu sem número de rostos de praia deitados em direção à África; África que talvez nem resida mais no palácio tranquilo do sonho, não se sabe ... Sequer falamos dela; enchemos o bucho de África e não vivemos, não sabemos nela... Seria trágico se África não nos desse mais ouvidos também ... Já longe-mar, e diante de tão pouco proselitismo, da resposta muda de quem não dá nada além de esperança, eu estarei por hoje com os Orixás perdidos, com os caldos marítimos infinitos da Rainha. Amanhã, quem sabe, isso passa e eu volto para minha canalhice agnóstica e urbana.



Juliano Salustiano




26 de dez. de 2015

Amor



AMOR



Amor é fogo que arde até acabar o gás

(Troca o gás,

 Amor, troca o gás...

 Porra! Ou troca o amor ...)  

É ferida de quem ainda não caiu

(Tem mertiolate na caixa da cozinha!)

É contentamento de quem não possui dentadura

(Precisamos ir ver os teus pais)

É dor ensinada para ser curtida,

E como ensinam ...

É um não querer uma tv nova agora

Para poder ajeitar o carro

É um andar nas pontas dos pés para não despertar o maldito na madruga

É um nunca mentir, a não ser para omitir os maus dias passados.

É um cuidar para que o outro perca as chaves para pois poder ser dito:

(Ó as chaves, tá aqui as chave ...)

É querer dormir a ranger o estrado da cama:

[Eis a vitória do bruxismo mais calmo e erótico]  

É servir polenta sem vontade nenhuma de que seja outra coisa;

É ter o quase nada a dividir e ainda dar risada do Banco.

Mas como se casar por amor,

Já que custa tanto pouco namorar sem saudade ...

Cada qual em sua cidade ...

 Sem ter rima, e sem ter flor?

(onlines)




Juliano Salustiano


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6 de nov. de 2015

Hit

Hit






Um hit pálido. Entre vários,
faz parecer que os anos horríveis
foram máximos.
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mimeógrafos não eram chiques
e a lama do meu bairro sem asfalto
não couberam não encanto do hit
nem na cor do dinheiro contado.

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Era a infância da Ganância Era
e dançar à luz do nada nos enchia
nem sabia, que por ânsia, já devia
florar com arcos no labor que o mundo espera!

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Um hit pálido. Entre vários,
faz carecer, entre momentos incríveis,
os que foram trágicos (?)

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Juliano Salustiano



27 de ago. de 2015

Contas (ou Matemático)




Matemático

O meu ódio não solverá nada,
o meu amor, tampouco.
O que necessito é saber
exatamente
o valor do que sinto.
E pedir tudo quanto me roubaram
de volta.
Poderei vislumbrar, como finalidade então, a beleza burra de uma chuva, uma flor.
Quem sabe a dor eu possa até lamber um dia,
depois de contar absolutamente tudo que me releva, materialmente.


Juliano Salustiano 






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17 de ago. de 2015

Manchetas futuras

Manchetas futuras.



Segunda fábrica de proteína artificial é Inaugurada em Moçambique e especialistas falam em "fim da fome".

O cientista Etíope Makkuff Ter Milá deu as boas vindas aos chefes das delegações da República da Coreia, do Tibete Livre Ocidental e de outros 35 países, além de representantes da Nação Científica da Constelação de Orion, que enviaram suas saudações via telepatograma, ontem em Maputo.

A fábrica situada no subúrbio da maior cidade do país, e atualmente a terceira maior do mundo, iniciou a produção baseada no “Método Pósitron”, que consiste na fabricação de todos o elemento químicos primordiais, desde os átomos até atingir a elaboração de moléculas de cadeia complexa, presentes nos músculos bovinos e nos já extintos frangos de corte. “É um avanço, pois teremos agora controle da produção do início ao fim, formaremos cientistas plenos, e isso já no segundo empreendimento” (sic) , declarou Milá.

Para especialistas, a “carne artificial” vai sanar o problema da fome, uma vez que o custo para produção do quilo da proteína é de 0,11 centavos de Libra Chinesa. Além disso, depois que a Nação de Orion implementou novas sanções contra guerra entre humanos, o acesso à comida não terá os atravessadores típicos das zonas de conflito, informou relatório da revista científica 'Think, pero obey'.

Makkuff será agraciado esta semana com o prêmio Miguel Nicolelis, concedido a pesquisadores que colaboraram com o conhecimento na última década. A transmissão da festa de entrega será em tempo real no próximo sábado para toda a via Láctea, via Aplicativo Manaus, e por telepatograma para as demais praças galáticas. 






13 de ago. de 2015

Sebastião


 

Sebastião



Estranho é ser herói
de alguém
Posto que, que gritando ferido
também me rói no chão do padecer
todo o deserto como choro da cara entocada
de um pedestal em estátua de sala; o que merece
o nulo da luta toda, então, além de um suor barato?
Moucos por de trás da porta, sem orelhas, a pedir respostas
fazendo seus rogares de surras
em que a única peste é sussurrarem sem motivos!
Estranho é o ser do herói
com bandejas e tijolos nas mão sem águas
e o velho humano, espírita e cobarde
no escritório de metal e carnes
fica como de cócoras, 'quel'alma isolada
debaixo da última mesa, onde ocoa surdo
o pesar e o acorde consciente da sua puta dor... Cópias de Xerox.
(Todo existir de ser de Sebatião é um horror de não saber; e o não saber
dos tolos que tudo dele-em-mim aqui desejam: sorrisos, curas, intervenções...
Porque pra'lém de toda marcha imperial há poeira e pés bailados,
e é só o povo quem tem amor aos calos... Pois só, cada um da multidão se detesta,
se recrimina
e quer um paraíso em espelho para encanar a víbora vontade … Verdades somem
neste embalo de imagens tortas,
e o fantasma, onde o rei cuida de seu povo
que amamenta o rei,
que não ama nem rei (que é)
nem povo (que o faz)
nada para o mais deleite de estar com armas
e detido na noite, bebendo calmantes
à espera de ser chamado outra e outra vez
e vir com a escova de dentes, entre os entes
para acalmar uns prantos ridículos e incríveis
E não só um, uns tantos
o eu, o ninguém – perdidos – ; mas querem lá
estes
médicos,
mestres
ou o homem que mata baratas, e apague com as mãos de vez a luz,
simplesmente,
como que não se importassem se és tu, (e sou!) Um enorme louco
que só falta uivar de tanto coçar e caçoar dos dias,
ao abrir um riso de século
em gordas latas de refrigerantes.
(à salvação!). 


Juliano Salustiano

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